Realidade e firmeza.
As lembranças vão junto com o tempo, enquanto me faço de cego para as mudanças. Danço músicas na minha mente, imagino cenas, rezo para deuses que não acredito e tenho fé na razão. Aprendi a dizer não, mas não sou de me expor, guardo o que tenho em um baú sem fundo.
Não consigo me organizar, as vezes falta algo mais do que ar, talvez nem seja isso talvez eu esteja enganado, talvez não.
Dedicação a minha harmonia, é disso que preciso. Estar em paz sempre foi necessário, mas nunca foi prioridade. E hoje, quer dizer, agora, me sinto mais firme para fazer o que pode ser o “certo” mesmo que eu sinta dor.
Covarde marujo…
Abusado, o marujo se contenta com o que não pode ter.
Não cobiça o leme, apenas o poder da liberdade.
Conhece o preço do poder mesmo assim continua a sonhar.
Assim leva a vida o marujo, descascando batatas em alto mar.
Assim segue o marujo com o convés a limpar.
Assim se contenta o marujo esperando o sol raiar.
Ser sincero, sinceramente? Não dá.
Eu venho caminhando a um bom tempo para um lugar que eu não sei onde vou parar. E se parar nesses dias de tantas incertezas, não me sinto apto para voltar a ser quem eu achava ser.
O infinito, a busca de novos lugares, eu sei. Somos assim, eu em uma intensidade menor, porém mais firme, e você com seus sonhos impossíveis e reais, hoje preso em um mundo que você sempre quis, mas na hora que você determinasse. Complicado tão quanto estar só, é ter certeza de que um dia teremos alguém para nos preocupar.
Nostalgia, teoria e defecação.
Eu tenho uma teoria. Tudo que você passou ou fez apenas uma vez, marca. Marca por ser único, por não ter tido outras experiências parecidas de forma que apague aquela que foi única. Mesmo sendo ruim, boba, ou inesquecível, marca. Se for feita apenas uma vez. Não existe confusão mental, nosso cérebro entende bem quando é único e deixa você sonhar como poderiam ser você fica livre para sonhar e pode editar tudo como poderia ser com lembranças do que você fez uma única vez.
Lembro da viajem que fiz ao Sana, lembro de todos os detalhes, cada dia acampado em uma mini ilha no meio do rio. Lembro dos cogumelos que ficávamos procurando. Lembro das refeições e defecações que fazíamos no rio. Das cachoeiras que visitamos, das pontes e pedras que pulamos, das caronas que pegamos. Bons tempos. Quero muito voltar ao Sana, mas se minha teoria estiver certa, algumas lembranças vão se misturar… Será?
Da cabeça para o bloco.
Entre uma música e outra no caminho para o trabalho, assusto-me com tantas idéias. Ultimamente tenho pensando em fazer um vídeo, com imagens da minha mente. Tenho até mesmo editado. Tudo na minha cabeça, o resultado final é ótimo. Pena que não me lembro no dia seguinte. O meu bloco de anotações é tão pequeno que mal cabe uma frase com letras engarrafadas, como o bom e velho do ano passado. Preciso de um depósito maior, vasto… Onde eu possa escrever sem me preocupar em gastar folhas ou esquecer o que criei. Desta vez vou optar por um com mais folhas e ao invés de nanquim, vou usar uma lapiseira com ponta 05, mais econômica e ótima para arriscar uns traços. Pena que a maioria deles vem com pauta, estraga a abstração do desenho e… Para que mesmo que eu queria um bloco?
Próxima estação: Tóquio… ou seria Beijing?
Hoje peguei o metrô. Assim que entrei no vagão, reparei uma mulher que aparentava ter uns 36 anos, ela estava chorando, em silêncio. Não sei por que, mas eu achei a cena tão linda, parecia um filme, com todas as pessoas entrando e saindo do vagão, passando por ela como se fosse invisível, intocável, parecia que não estava ali. Enquanto fiquei no vagão, ninguém se quer ofereceu um lenço, tão pouco eu. Parecia que ela não queria mesmo ajuda. Apesar do pranto, estava bem. Acho que o tom especial foi o fato de ser oriental, deu um toque preto e branco ao momento. Desci na Carioca e ela seguiu com os olhos molhados.
